quinta-feira, 2 de abril de 2009

Todos os padrões comprimidos em figuras distantes
Se me perguntam sobre porque gosto de escutar músicas tristes
Digo-lhes que é pra saber de como não quero sentir-me novamente

Quero o fugaz mais duradouro
Quero o volátil mais firme
O alicerce mais maleável

O mel tão amargo
O fel sempre doce
A destruição que cria
A transformação que dê forma

A deformação que modela
A beleza que se enfeia
A feiúra que se embeleza

Imersão que emerge
Imanência que emana
O mar de água com açúcar
E cachoeiras de água com sal

Quero frio escaldante
Teremos calor nos pólos
A rapidez da vagarosidade
A pressa acalmada

Vejo mais em nada do que em tão pouco
Quero a seriedade mais risonha
E o riso mais sincero

Quero olhos brilhantes de desejo de mudança
Quero o estático cambaleante
Quero dançar menos acanhado
Imagens figuradas em imaginação realizada

Quero sentir mais que sonho
Quero sonhar acordado
Quero um sonhar-viver não ilusório
Quero uma dialética perfeita

Quero os contrários se unindo
E algo mais em muito menos
Quero uma decepção estimulante

E desejo um beijo fulminante da terra
Que me exploda em árvore
Num enraizamento que impulsiona
Ao céu de todas as cores

Que me recomponha de um ponto
Radiando em gradiente
De mistério e milagre

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