terça-feira, 28 de outubro de 2008

Eu quero ver o dia
Ainda muitas vezes
Posso estar enganado
Pois a noite é um fardo

Já fui boêmio faceiro
Cantador e violeiro
Gaiato das esquinas
E praças escuras

De gente deserta
De conforto instável
Do belo limite grotesco
Ao baixo sublime expor

Gostava de ser quem era
E hoje ainda sou melhor
Cada sol que nasce novo
Eu ganho uma renovação

Da noite só a lua branca
Ainda só dela sinto falta
São os raios helíacos fogo
Do outro lado daqui é dia

Só uma valsa o que tenho
Acordando mais energia
Quando cedo desperto
A tenho muito por pouco

Isso é um alento divino
Absorvo contente confiante
Obstinado cada dia avante
Avisto ao longe o horizonte

Pois eu cavaleiro andante
Descobridor de caminhos
Não posso estar parado
Não posso perder desafios

Quero entrar nessa cidade
Não vejo portas abertas
Dou voltas e investidas
Mas não descobri entrada

Em secreto lugar sagrado
Onde poso o meu cajado
Desejoso objetivo portal
Outra dimensão alcançada

Avançou floresta encantada
Consagrou o medo de antes
Desvendou todo o mistério
Daquele caminho sinuoso

As ondas batem no costão
Com uma delicada violência
Voltam as ondas nos rochedos
Ao vento a água se espalha

De novo assim repete a maré
De novo aí repete aí de novo
Assim embora se saiba por quê
Nunca supôs ser capaz de parar

Soube dar valor ao destino
Recebi tudo como benção
Penso que cada contratempo
Fosse um passo na jornada

Agora encontrado aqui meu abrigo
Como poderia renegar esse afago
Um bom colo um vinho um mimo
Castanhos lindos olhos femininos

Sei que o que sei é o agora e nada mais
Interminável percurso uma linha na rota
Fagulha indecifrável que abre as cortinas
Quase nunca o horizonte é uma reta plana

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