sexta-feira, 6 de março de 2009

Ontem
Eu vi um homem morto
Que nem ao menos
Havia vivido

Furou-lhe uma flecha de fogo
No lado esquerdo
Penetrou-lhe o pulmão
Já não podia respirar

Você já viu um homem morrer sem respirar

Seu sangue vertendo pela boca e nariz
Seu olhos inchando esbugalhados

Suas mãos tremendo
Seu rosto suado
Seu olhar de desespero
Sua voz já embargada

Solitário imenso mundo
Erguido no horizonte
Dia quente qual deserto
Eremita do coração

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