Eu vi e posso dizer
A garça suja
Com os pés na lama
Do esgoto retirava com o bico turvo
Da água, que de pouco água tinha
Algum material orgânico infecto
Podia a cidade nutrir melhor a sua natureza
Ela deu mais um passo em direção ao limo
Ao lodo do poço de lixo
E meteu mais uma vez o bico na água
Os seus pés, já nas canelas, enfiados
Sem o menor nojo
E a sua sobrevivência dependia disso
Há várias delas que voam felizes pelos valões
Corrompidas pela marginalidade dos rios
Afinal o que fazem aqui
Não podem ir pra outro lugar
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
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Um comentário:
Amigo. Você conseguiu captar a tristeza de forma tão singela e conseguiu versos maravilhosos! Parabéns!!!!!Abração!
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