quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Eu vi e posso dizer
A garça suja
Com os pés na lama

Do esgoto retirava com o bico turvo
Da água, que de pouco água tinha
Algum material orgânico infecto

Podia a cidade nutrir melhor a sua natureza

Ela deu mais um passo em direção ao limo
Ao lodo do poço de lixo
E meteu mais uma vez o bico na água

Os seus pés, já nas canelas, enfiados
Sem o menor nojo
E a sua sobrevivência dependia disso

Há várias delas que voam felizes pelos valões
Corrompidas pela marginalidade dos rios
Afinal o que fazem aqui

Não podem ir pra outro lugar

Um comentário:

Danilo Julião disse...

Amigo. Você conseguiu captar a tristeza de forma tão singela e conseguiu versos maravilhosos! Parabéns!!!!!Abração!