A falta abre caminho
Devastando o vilarejo
A perda fez aquela primavera estiar
As casas se empobreceram
As fachadas ficaram tristes
As roupas ficaram rotas e viraram trapos
Eles já pouco comiam o que lhes punham no prato
A estrada que leva a vila ficou difícil
O caminho sumiu no mato
A chuva alimentava a esperança do povo
E a angústia que fazia presença
Começava a se dissipar
Campesinos perguntavam
Veremos os gira-sóis brilharem ainda esse ano
Teremos flores nesta estação
Este ano não tem verão
Vamos direto para o inverno
E a natureza como podia os ia influindo
Permaneçam seguros meus lindos filhos
Não pensem no inverno
É investimento o que precisam
Confiem e acreditem sem receio
Ainda há tempo para a colheita
A terra já foi lavrada
Seu empenho é necessário agora
Não fiquem aí esperando
Porque o seu choro não regará as sementes
Já lançadas onde a terra preparada as acolheu
Só precisam paciência e força na hora da lida
Num piscar a pequena flor alcança a luz
E verão o que só o amor constrói
Longe da apreensão e do medo
Acabou o tempo de sofrer
Sentem falta agora do que podem ter
Têm possibilidade de ter agora o que não poderão saber
Do trabalho de agora se colhe o futuro
A falta do que se poderá ter só se resolve plantando agora
O que não se sabe se irá colher
Mas se não houver plantio se não houver trabalho
O que é dúvida se torna certeza
A colheita não acontecerá
Não havendo o prazer no trabalho
Não se sorrirá ao ver as sementes germinarem
Muito menos se verá as simples plantas florescerem
Sentindo falta das flores tem-se que trabalhar no jardim
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
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